Os TEXTOS que se seguem são pura FICÇÃO e qualquer semelhança com a REALIDADE é pura coincidência!
Este espaço permite-me dar-vos a conhecer todo o meu entusiasmo pelas palavras.


df @ 13:24

Sex, 03/04/09

Em vez de demorar pouco mais do que dez minutos a chegar casa, demorei quase trinta.

Revia constantemente a mesa com cinco pessoas estranhas, mais um meramente conhecido. Não devia ter dado asas à minha imaginação, às minhas necessidades de sentir um pouco de amor e afecto masculino.

Decidi mergulhar a minha dor na profundidade de um uísque de quinze anos, que mantinha em cima do pequeno móvel da sala como bar.

Descalça, de copo na mão, abri a porta do meu apartamento, sem a preocupação de reparar quem me procurava.

- O que estás a fazer aqui? - berrei, ao vê-lo entrar furiosamente pela sala.

Fechei a porta e segui-o.

- Vim aqui só para te dizer uma coisa.

- Não preciso...

- Pois não, Ana, tu não precisas de nada, nem de ninguém. Pareces ser auto-suficiente - gritou. Esperou uns meros segundos e recomeçou o ataque, agora mais calmo, mais mordaz, mais sarcástico - Tens um grave problema, Ana. Tens problemas de confiança, querida. Eu não tinha motivos e continuo a não tê-los para te mentir, especialmente depois de te ter dito que te amava. Sim, em menos de uma semana apaixonei-me por ti. Só que TU é que te mostraste ser uma pessoa diferente. Parecias ser uma pessoa calma, com o dom de não tirar conclusões precipitadas, ou pelo menos com a capacidade de dar uma segunda oportunidade da pessoa que acabou de meter o pé na poça, de se explicar. Só que hoje, querida, - baixou consideravelmente o tom de voz, aproximou-se de mim e apontou-me o dedo indicador esquerdo à cara - não fiz nada de errado. Jantei com a minha mãe, ela apresentou-me, naquele mesmo café, o seu novo namorado, que conheceu nas danças de salão. Estivemos um pedaço na conversa, até que entretanto apareceu o meu irmão, com a namorada e mais uns amigos. Quando tu chegaste, a minha mãe tinha acabado de sair. Espero que estejas bem satisfeita por teres conseguido afastar uma pessoa que te amava de verdade.

Desviou-se de mim e saiu da minha casa.




df @ 14:17

Qui, 02/04/09

Subitamente o murmúrio das conversas paralelas parou. O eco do meu gesto espalhou-se pelo espaço e inevitavelmente a curiosidade sobre o que se passava ali lançou-se sobre nós.

Sentia o meu corpo ser invadido por uma onda de choques electrizantes, que alimentavam naquele preciso momento a minha raiva.

Alguém me chamou à atenção, tocando-me no braço direito.

- Acho que este não é o melhor sítio para vocês discutirem - falou o Nuno.

- Sim, tens razão. - conclui.

Mas isso não interrompeu a minha ansiedade de o atacar.

Vesti o meu casaco preto e precipitei-me para a saída, sabendo que ele me acompanhava num passo mais lento.

- Mas tu pensas que sou idiota? Tenho escrita a palavra 'idiota' na testa para poderes mentir-me assim? - gritei.

- Mas não te menti - bradou ele.

- E esperas que acredite na tua palavra, depois de me teres dito que ias estar com a tua querida mamã, mas afinal encontro-te aqui com os teus amigos?

- Espero, sim - admitiu, aproximando-se de mim, tocando-me nos meus ombros.

- Larga-me. Não admito sequer que me toques.

- Foda-se. Mas estás a brincar comigo? - questionou, perdendo as estribeiras - Não significou nada para ti o que aconteceu esta manhã?

- NADA! - uma pequena mentira, disse para mim. - E não mudes de assunto, porque o que está em causa não foi o facto de termos passado a noite juntos, mas sim o facto de me mentires.

- Porra, já te disse que não te menti. Eu estive com a minha mãe, Ana.

- Pára de mentir, Miguel, estou farta de mentiras. Tu, o Márcio... Vocês são todos iguais! Uns mentirosos!

Irrompi pelo estabelecimento adentro, deixando-o só na rua, ao frio, sob a fraca luz da lua, que iluminara as minhas palavras amargas.

Peguei na minha carteira de pele vermelha, que se encontrava pendurada sobre as costas da cadeira e fiz o percurso inverso, ignorando a presença dele já no interior do café e dirigi-me até ao meu carro, que estava a escassos metros dali, numa rua transversal.

 

 




df @ 12:33

Qua, 01/04/09

Desvendados os segredos, eu e a Beatriz decidimos convidar os nossos amigos mais próximos para um jantar lá em casa: a Sónia e o Pedro, a Inês e o Nuno e a eterna solteirona Verónica.

Apesar dos desentendimentos com a prima por diversos motivos, especialmente familiares, a Beatriz estava disposta a fazer uma pausa na sua rebelião contra a Verónica. Por mim e pela sua nova fase conturbada, chamada amor.

Optamos por um prato tipicamente portuense - a francesinha - bastante apreciada por todos e fiz o meu molho especial, que tinha aprendido com um aspirante a cozinheiro nos meus tempos da faculdade e que ao longo dos tempos fui aperfeiçoando ao meu gosto. Acompanhadas por excessivas doses de batatas fritas e cerveja fresca, o repasto foi um momento com enorme intensidade por todos, visto serem escassas as vezes que agora nos reuníamos assim.

No fim da refeição, em vez de nos dedicarmos à viciante jogatina das cartas ou de qualquer outro tipo de diversão, a Verónica propôs outra ideia:

- Meninas - não querendo ofender ninguém, - disse em tom de gozo - apesar da noite estar fria, que tal irmos até à praia beber um café?

- Cá para mim, Verónica, tens alguém de olho para aqueles lados. Não, espera, combinaste com algum homem mais novo lá? - insinuou a Sónia, enquanto acariciava a cabeça do meu gato, distraidamente, sentada no sofá.

- Não sejas cruel comigo. Oh, meu Deus! - dramatizou, levando as mãos à sua vasta cabeleira negra. - Não posso simplesmente querer estar com os meus amigos num local agradável, sem me apelidarem injustamente de promíscua?

- Bem - disse eu, levantando-me da cadeira, que fazia parte do conjunto da mesa de jantar - independentemente dos motivos da Verónica, acho boa ideia.

- Hoje não vais estar com aquele homem lindo de olhos verdes que vimos da outra vez? - perguntou a Verónica.

Mais uma vez eram elas que precisavam de me questionar. Tinha aprendido a guardar as coisas para mim e apesar de nos conhecermos há tanto tempo, eu não mudara. Não era uma questão de falta de confiança, simplesmente não escancarava a porta dos meus sentimentos naturalmente.

- Encontrei-o hoje de manhã em trajes diminutos aqui pelo corredor - lançou a Beatriz.

- O quê?! - retorquiu a V., colocando o braço em cima dos meus ombros, enquanto nos preparávamos para sair para o corredor do prédio - Isso já está assim tão avançado? Ele já passou aqui a noite? Troca-me isso por miúdos, querida. Quero saber todos os pormenores.

 

O bar ficava do lado oposto à Praia de Salgueiros e estava entre os muitos que se tinham estabelecido ali naquela zona. Não havia muitas pessoas na rua. A maioria tinha-se abrigado dentro dos cafés, devido às baixas temperaturas daquele Novembro. Nós dirigimo-nos ao Capitania Bar, local habitual quando íamos para ali.

A música normalmente estava num nível elevado, mas não era impeditivo para um diálogo entre as pessoas que optavam por aquele espaço; a luz, em vários tons azuis, era média, dando ao ambiente um aspecto sereno.

Vi-o mal entrei.

 

 




df @ 14:24

Sex, 27/03/09

A conversa com a Beatriz já estava a ser adiada desde que ela chegara do Japão. Não gostava de me intrometer na vida dela, tal como não gostava que o fizessem comigo, mas uma sensação estranha no estômago perseguia-me, especialmente desde o episódio desta manhã.

Acho que também estivera tão absorvida pelo meu relacionamento com o Miguel, se se podia chamar assim, e com o meu trabalho, que descurei, como já era hábito, as minhas amigas. Mas ainda bem que não éramos todas iguais, senão nestes mais de quinze anos, não nos tínhamos mantido juntas.

Ouvi a porta do quarto da Beatriz abrir-se e esperei que ela viesse até à sala, onde eu me encontrava.

Apareceu na soleira da porta, com o cabelo castanho claro desgrenhado, os olhos envoltos por uma pesada cor escura e o que restava da maquilhagem numa pintura destruída.

- Desculpa se disse alguma coisa que não devia hoje de manhã - pronunciou, baixinho. Sentou-se ao meu lado no sofá e disse - Foi a bebida a falar ou algo mais... Não sei muito bem... Não quero que o Miguel pense que tenho alguma coisa contra ele... Até porque o que mais quero é que sejas feliz e ele parece-me bem diferente lá daquele outro. - A Beatriz recusava-se a pronunciar o nome do Márcio, considerando-o uma aberração.

- Não te preocupes com isso, Bia.

Ela gostava quando a tratava assim. Dizia que se sentia de volta à curta infância feliz, até à altura em que os pais se tinham separado.

- Mas quero que me contes o que se passa contigo. Sei que gostas de noitadas, mas todos os dias? Além de que nunca foste inconsciente ao ponto de não estares em condições para ir trabalhar. Bia, passou-se alguma coisa no Japão?

Acho que tinha tocado na ferida.

- Não quero falar sobre isso - respondeu, fingindo prestar atenção ao filme romântico que passava na televisão. Pareceu-me que de repente a sua mente processava cada momento do ou dos seus problemas.

- Não quero insistir no assunto, mas acabaste de confirmar que algo se passou.

Demorou uns minutos até a sua boca se abrir e me dar alguma informação.




df @ 14:15

Qua, 25/03/09

A cama estava vazia. Eu estava sozinha. Olhei em volta do quarto para procurar algum vestígio da presença do Miguel ali, para saber se aquela noite não tinha sido imaginação minha...

A camisa. As calças. A camisa estava pendurada delicadamente nas costas da cadeira, que se encontrava ao lado da cómoda de madeira maciça, cor de mel; as calças de ganga estavam dobradas milimetricamente em cima do assento.

Mantive-me serena, o meu corpo nu, saboreando ainda as lembranças daquela noite cheia de prazeres satisfeitos.

Porém, a interrupção daquele momento foi feita por uma troca de palavras en tom azedo entre a Beatriz e o Miguel.

Estranhei o facto e quando me preparava para me levantar, para me pôr a par da situação, o Miguel entrou com um tabuleiro na mão e fechou a porta atrás das suas costas.

- A Beatriz já se levantou?

- Não - respondeu em desagrado perante a minha preocupação com ela - Acabou de chegar.

- O quê? - olhei para o relógio - Mas é quase meio-dia - exclamei.

- É porque dormiu em casa de alguém. Tal como eu... - Não disfarçou inicialmente a descontracção em relação ao assunto, mas depois o seu rosto suavizou.

- Estou preocupada com ela, Miguel - insisti. - Ela não anda bem. O que ela te disse? Nem parece dela... Quer dizer, ela devia estar habiutada, ela é que normalmente trazia estranhos aqui para casa...

- Pois... Ela disse-me que vocês têm regras em relação ao facto de um homem andar só de shorts pela casa... - disse, apontando o dedo para o seu corpo e exibindo um sorriso malicioso.

- Ela tem razão! Sempre lhe pedi para que não deixasse isso acontecer.

- Então, a culpa foi minha - deu-me um pedaço do bolo que eu tinha deixado em cima da mesa da cozinha, feito por mim na quinta-feira, numa tentativa de relaxamento. - Come e não te preocupes tanto.

- Vou tentar. Mas tenho que falar com ela na mesma. - Fiz uma pausa, mastigando o doce. Hesitei quanto à pergunta que tinha vontade de fazer, não querendo dar a sensação de que queria mais do que ele queria oferecer. Mas acabei por fazer - Tens planos para agora de tarde? Pensei que podíamos...

- Não posso - respondeu prontamente. - Prometi à minha mãe que me encontrava com ela e que jantava depois com ela. Cá para mim, ela quer-me apresentar o novo namordado, que conheceu nas suas aulas de danças de salão - rebolou os olhos e sorriu.

Torci o nariz perante a sua explicação.

- Mas podemo-nos encontrar amanhã - disse, tentando-se desculpar pela falha.

- Não dá - respondi. - Os meus pais vêm de Bragança para estar comigo.

- Está complicado então. Teremos de combinar qualquer coisa para segunda-feira só.

- Parece que sim.

Deu-me mais um pedaço de bolo à boca, enquanto ele comia uma bolacha de canela.

No tabuleiro estavam ainda duas canecas com café e leite, acompanhadas por um recipiente que continha açúcar.

Estava sentado à minha frente, com as pernas desnudas cruzadas. Eu tinha vestido uma camisola de alças de agodão branco. Nada mais.

Terminámos aquela pequena refeição, ele tirou-me o tabuleiro de cima das pernas e aproximou-se de mim. Beijou-me a testa, depois os olhos, em seguida o rosto e por fim a boca. Não nos cansávamos de nos tocar mutuamente. Parecia sempre uma novidade, apesar de não haver grandes segredos. De cada vez que estávamos juntos, surpreendíamo-nos, a intimidade não parava de aumentar, como se isso fosse possível.

Depois de mais uma vez nos termos entregado aos prazeres da carne, de um modo mais silencioso, pela presença da Beatriz no quarto ao lado, ele manteve o seu peso em cima do meu corpo, olhando-me, parecendo que ainda não estava satisfeito.

- Amo-te - declarou ele.

Não soube como reagir. Mas quis fugir ao olhar espectante dele e beijei-o com intensidade.

 

 



DESAFIO

Coloquei-vos há tempos o desafio de darem um TÍTULO à nova história que se irá desenvolver nos próximos meses aqui. Ainda não vos dei muita informação, a não ser que as personagens se chamam Rafael e Juliana e que trabalham na mesma empresa. Conforme vou publicando os posts, certamente irão perceber que há muitos segredos para serem revelados...
Além do título, também espero que deixem nos comentários o vosso feedback.
Obrigado
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Além de uma nova história a decorrer no blog, acompanhem também a nova rubrica do blog 'PERDIDOS E ACHADOS DA VIDA', pequenos textos que incidem sobre... Leiam e descubram...

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