Os TEXTOS que se seguem são pura FICÇÃO e qualquer semelhança com a REALIDADE é pura coincidência!
Este espaço permite-me dar-vos a conhecer todo o meu entusiasmo pelas palavras.


df @ 15:33

Sab, 03/05/08

Tinha medo constante de adormecer. Tinha medo quando anoitecia. Dormir. Ficar acordada. Insónias. Ler um livro. Reviver lembranças. Chorar. João.

 

Empurrava os lençóis e o cobertor da cama, depois de vestir o pijama. Não me queria deitar. Televisão. Ficava ligada toda a noite, com a luz a iluminar todo o meu quarto, fazendo sombras nas paredes brancas e deslavadas.

Deitava-me. Fechava os olhos. Escuridão. Terrível escuridão que me assombras e me matas de cada vez que te tento alcançar e que tento impedir que me leves para esse mundo profundo de lembranças dolorosas. Avó. Avó, onde estás? Avó!

Chamo por ti, mas não me ouves. Como podes? O teu corpo está na minha presença, mas a tua alma fugiu para longe, fugiu não sei para onde, fugiu para um lugar onde não há solidão, onde não há tristeza. Estás com o avô? Leva-me contigo. Porque me deixaste sozinha?

 

Grito. Grito de comiseração. Salva-me, João! Salva-me, avó! Alguém me salve. Alguém me mostre como viver ou me deixem morrer.

 

 




df @ 18:20

Sex, 02/05/08

... acho que essa era a palavra que me vinha à cabeça quando olhava para o João. Tinha tentado me agarrar à vida com um simples gesto de uma flor solitária no meu gabinete e uma declaração de amor, sabendo que eu deixara de ser a mulher por quem se tinha apaixonado.

Ninguém me podia salvar essa é que era a verdade. Apenas eu tinha o condão de me querer agarrar à vida e eu tinha consciência disso. Tinha consciência disso desde que me tentara suicidar pela primeira vez e, mesmo me arrastando com os meus sapatos de tacão alto, continuava a ver os dias passarem por mim, querendo, desejando realmente que alguém me salvasse, nem que esse alguém fosse a morte... Este ciclo de primaveras e invernos tornava a decisão adiável.

 

Quando fechava os olhos à noite na minha cama, sentia sempre um arrepio de frio, imaginando pela milionésima vez o corpo gélido da minha avó ao meu lado. Ela tivera uma morte tranquila, eu tinha uma vida recheada de pesadelos.

 

 

 




df @ 19:46

Qua, 30/04/08

 

... e todos acabaram por ser coniventes comigo.

Tinha perdido as duas únicas pessoas importantes da minha vida e como tal só pensava no motivo de eles me terem deixado tão cedo (como se eu pudesse impedir isso!) e que eles eram insubstituíveis.

Sabia que isso me impedia de me relacionar com as pessoas. Até ali, até àquele momento em que vi o olhar dele repleto de preocupação, nunca me preocupara com isso. Demorara um ano e mais uma tentativa de suicídio para me aperceber de uma coisa tão simples. Não me podia afastar dele, amando-o tanto!

 

Talvez não fosse tarde demais para ele me perdoar por o querer abandonar... Compreendia bem essa sensação de abandono...

 

Terrível foi a forma como o meu avô morrera, mas pior fora a minha avó (pelo menos para mim), que optara por deixar de viver sem ele.

 




df @ 22:14

Seg, 28/04/08

- Não a devias ter avisado! Porque o fizeste?

- Só tens duas pessoas na tua vida: eu e a tua mãe. Como fui eu que te encontrei naquele estado, avisei-a.

- Pois, mas fizeste mal de duas maneiras: não me deixaste morrer e telefonaste-lhe.

- Como podes dizer essas coisas? Estamos juntos há um ano e parece que não te conheço. Até a tua psiquiatra diz não compreender porque é que voltaste a tentar-te matar. Porquê?

- Não me apetece falar, João.

- Estás a ser tão covarde agora como foste ontem quando tomaste aqueles comprimidos todos.

 

O olhar dele estava repleto de sofrimento e de mágoa. Conseguiria eu continuar a ignorar o sofrimento dos outros em detrimento da minha dor? 

 




df @ 19:57

Sab, 26/04/08

- Volto a perguntar. O que está ela aqui a fazer?

- Ela é a tua mãe - respondeu ele.

- Ela não tem boca para me responder? - virei o meu olhar para ela, tentando fulminá-la com as poucas forças que tinha. - O que estás aqui a fazer? Desde os meus 9 anos que só te vi 2 vezes: no funeral dos avós e há dois anos quando estive no hospital.

- Eu impedi que morresses!

- Isso é para me fazer sentir melhor? Nunca estiveste presente na minha vida, não te quero agora.

- Luísa, não digas isso, eu preocupo-me contigo.

- Pois eu não me preocupo contigo nem com o que sentes. Não me sinto ressentida com o que fizeste, porque de certeza que os avós foram melhores pais do que tu alguma vez serias como mãe. Mas como nunca estiveste presente na minha vida, também não te quero agora. Faz o favor de sair.

 

Ela assim anuiu , parando momentaneamente na soleira da porta, olhando para mim e depois perdeu-se pelo corredor. 

 



DESAFIO

Coloquei-vos há tempos o desafio de darem um TÍTULO à nova história que se irá desenvolver nos próximos meses aqui. Ainda não vos dei muita informação, a não ser que as personagens se chamam Rafael e Juliana e que trabalham na mesma empresa. Conforme vou publicando os posts, certamente irão perceber que há muitos segredos para serem revelados...
Além do título, também espero que deixem nos comentários o vosso feedback.
Obrigado
A Gerência

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Além de uma nova história a decorrer no blog, acompanhem também a nova rubrica do blog 'PERDIDOS E ACHADOS DA VIDA', pequenos textos que incidem sobre... Leiam e descubram...

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