Os TEXTOS que se seguem são pura FICÇÃO e qualquer semelhança com a REALIDADE é pura coincidência!
Este espaço permite-me dar-vos a conhecer todo o meu entusiasmo pelas palavras.


df @ 15:01

Qui, 14/01/10

- Se não penso em querer mais para mim?! É uma boa pergunta... Sinceramente, não penso muito nisso, como te disse, tenho o Dinis e o meu...

- Juliana! - gritou uma voz feminina vinda do corredor. - De quem é aquele carro que está ali fora? Estás com visitas?

A mulher aproximava-se cada vez mais.

- É a minha sogra - disse Juliana, desviando o olhar e baixando a cabeça, envergonhada. Começava a sentir-se tensa, muito tensa.

- Ex-sogra - corrigiu ele mais uma vez, erguendo o rosto dela com o dedo indicador direito, esboçando um sorriso de empatia.

A mulher de idade apresentou-se com um fato em tweed, em tons rosa, e o cabelo grisalho bem arranjado. Tinha um aspecto austero e impaciente.

- A tua companhia é um homem? O que é que fazes com um homem na casa do meu filho?

Juliana levantou-se do sofá.  Tentou recompor-se da visita inesperada daquela mulher odiosa, respirando fundo, e apresentou o Rafael como colega de trabalho, esclarecendo a posição dele na empresa, sabendo de antemão que a sogra dava muita importância à posição profissional, ainda que nada fosse suficiente para os seus parâmetros, tal como sucedeu com o filho.

- Isso não me interessa tão-pouco, porque não me vais dizer que estás numa reunião de trabalho. Não me enganas, sua interesseira, não vou permitir que comeces a meter desconhecidos aqui na mesma casa onde o meu neto vive.

- Desculpe, mas acho que isso não lhe dá o direito de ofender a Juliana - avançou Rafael, que entretanto se colocou ao lado dela.

- Não o vou desculpar, até porque nem sequer lhe dei autorização para me dirigir a palavra - respondeu, com azedume.

- Esta mulher é doida! - exclamou rapidamente, virando-se para Juliana.

Finalmente, Juliana conseguiu reagir àquela troca de palavras e pediu que ele a acompanhasse até à porta.

- Já me esquecia que afinal havia um terceiro motivo - comentou ironicamente, mais para si própria. - Rafael, não tens que assistir a este drama todo que a minha sogra faz questão de fazer. Peço-te que vás embora agora.

- Sim, tens razão. Não vale a pena perder a calma por causa desta senhora. Se precisares de alguma coisa, não hesites em me ligar, está bem?

Ele passou a mão pelo rosto dela, deslumbrado com a sua fragilidade. Costumava mostrar-se tão forte, decidida e independente...

Ela afastou-se, incomodada pelo acto carinhoso e bondoso dele.

- Se te perderes ao sair daqui, telefona-me, mas acho que não vai ser necessário se seguires as minhas instruções. Agora vai- te embora.

Entrou em casa e fechou a porta atrás de si. Moveu por várias vezes os ombros no sentido vertical, para tentar diminuir a tensão, mas só havia uma solução: respirar fundo e enfrentar o monstro que tinha na sala, com a mesma tenacidade com que enfrentava os colegas de trabalho e a vida.

 

Fim do primeiro capítulo




df @ 16:30

Sab, 19/12/09

Sabendo de antemão que só seríamos felizes um com o outro, por todo o passado que partilhávamos, por toda a compreensão e por todo um conjunto de coisas que tínhamos em comum, finalmente decidimos - sem ter nenhuma oposição - ir viver juntos.

Dei uma oportunidade ao meu pai e fui conhecer o apartamento que ele me tinha oferecido, local muito acolhedor e o escolhido para eu e o Ricardo estarmos juntos.

O Tiago continuou meu sócio na sapataria, apesar de tê-la transferido, contra a sua vontade, para o centro de Gaia. O divórcio saiu, depois de termos chegado a um acordo amigável. Ele declinou a parte a que tinha direito à minha herança, colocando por fim um ponto na nossa relação amorosa. Talvez por respeito, talvez por ter percebido que não valia a pena massacrar-nos com tantos problemas. Para ele, o passado era o passado e talvez realmente aplicasse isso na sua vida. No fundo, nunca nos chegámos a conhecer verdadeiramente e apenas partilhávamos a vontade de nos amarmos. Mas não foi suficiente.

Provavelmente, as pessoas nunca se chegassem a conhecer por um todo. Seria necessária uma vida para tal e nem mesmo o Ricardo me conhecia tão bem como pensava, mas ainda assim era o que melhor me conhecia.

Eu tentava agora viver um dia de cada vez evitando qualquer contacto com a minha mãe, sempre que visitava os pais do Ricardo e me mentalizando que o meu sentido maternal aparecia, desejando num futuro próximo partilhar a alegria com o Ricardo de termos um filho.

Mas antes disso, precisava de ganhar coragem - que me faltava constantemente - para contar ao Ricardo o meu problema: tinha sido dependente do álcool durante quase um ano, pouco depois de me mudar para Lisboa e, ainda que mais ou menos controlado, tinha situações em que as recaídas eram muito fortes.

Mas isso já é outra história...

 

Fim




df @ 16:07

Sex, 18/12/09

- Não tenho forças para voltar a lutar. - comecei a chorar. O meu rosto estava lavado em lágrimas. Sentia a humidade da pela, mas mais ainda a dor das lembranças.

. Tens sim. Tiveste tanta coragem, como é que agora não tens, Di? - levantou a minha cabeça para ao enfrentar. - A coragem não se acaba.

- Pois a minha acabou. A minha acabou. - desabafei, entre soluços.

Senti os braços dele à minha volta. Reconfortante. Seguro. Já há muito tempo que não sentia uma paz tão avassaladora. Agarrei-me a ele com toda a minha força, sabendo que o desespero estava a terminar.

- Tive muitas saudades tuas. - murmurei-lhe ao ouvido.

- Eu sei, querida, eu também tive. Mas agora estamos aqui, juntos.

Olhei-o, desejando-o, querendo sentir os seus lábios nos meus, a sua pele quente tocar a minha.

Lendo os meus pensamentos, como quase sempre o fazia, deitou-me em cima da cama e colou-se ao meu lado, acariciando-me o cabelo.

Beijou-me com carinho e eu retribuí-lhe o gesto. Depois o beijo tornou-se mais intenso, cheio de desejo carnal e comecei a despi-lo com mãos nervosas e deliciámo-nos um com o outro, como se fosse a primeira vez...

 




df @ 15:03

Qui, 17/12/09

- Já acordaste?

- Parece que sim. Dói-me um pouco a cabeça.

- É natural! - retorquiu. Levantou-se da cadeira, que estava encostada à parede, mesmo ao lado da cómoda e sentou-se na cama, no lado oposto onde eu estava.

- O que aconteceu? Lembro-me de teres chegado e de me teres levado para a casa-de-banho e...

- Vomitaste. Nem chegaste a tomar banho. Resmungaste comigo e arrastaste-te até à cama. Nem sequer me deixaste ajudar-te.

- Já há muito tempo que não me acontecia tal coisa. - declarei.

- Precisas de comer qualquer coisa. Estiveste muitas horas a dormir com o estômago vazio. Vou preparar um chá e vais comer nem que seja duas bolachas. - afirmou seguro, ignorando o meu comentário.

Dez minutos depois, regressou ao quarto, com um tabuleiro, com o que tinha dito que eu ia comer, além de uma sandes para ele.

- Porque é que vieste aqui a casa, Ricardo? Eu sei que não cheguei a ir ter contigo.

- Pois, também achei estranho a tua demora. Eu tinha subido a casa e quando regressei ao café, disseram-me que tinhas saído da casa dos teus pais a correr e que tinham ficado com a impressão de que estavas a chorar. Achei estranho, mas esperei que me dissesses alguma coisa, mas não disseste... Depois telefonei-te, mas não me atendeste. Tentei, tentei, mas nada feito, não consegui falar contigo. Comecei a ficar preocupado, até que a minha mãe me disse para tentar vir ver se estavas em casa.

- Sim e aqui estava eu, bem acompanhada, não?

- O que te levou a embebedar-te? O que se passou com a tua mãe quando regressaste a casa?

Respirei profundamente, tentando escolher as melhores palavras para descrever aquilo que tinha acontecido há umas largas horas.

- Entrei na casa, no preciso momento em que o advogado saiu. Acertei mesmo. Uns minutos mais cedo e se calhar nada daquilo tinha acontecido... - desabafei, mais para mim própria.

- O que é que aconteceu, Diana? - A sua voz não parecia mais do que um murmúrio, preenchida de preocupação.

- É engraçado como a vida é recheada por breves momentos em que nos podem mudar a vida... Mal ouvi o barulho da porta fechar-se, só tive tempo de sentir uma dor enorme na cara. A minha mãe tinha-me batido... É inacreditável, não é? Pensei que isto já tinha acabado... há uns anos... - não evitei derramar uma lágrima. Era inevitável. A dor era tão grande... - Senti em cheio um anel que ela tinha... Ela fez-me muita coisa, mas nunca pensei que chegasse a esse ponto. Sempre tinha sido suficientemente esperta, para simplesmente fazer queixas ao meu pai... Mas agora não havia o meu pai para... Depois, ela fez um perfeito discurso de vítima. Que ela é que tinha dado a vida dela para estar ao pé do meu pai, que ela dedicou-lhe a vida e que nunca o tinha abandonado como eu, etc. etc., etc.... Que nem eu nem tu merecíamos fosse o que fosse do meu pai, muito menos eu, porque eu não passava, como sempre, de uma pessoa ingrata. Ela disse também que ia tentar fazer os possíveis para que o testamento fosse considerado inválido...

- Mas mesmo que faça isso, Diana, o único prejudicado sou eu, porque não tenho nenhum laço sanguíneo convosco.

- Eu sei disso e disse-lhe. Parecia que até àquele momento não se tinha apercebido da ironia das coisas. - Trinquei uma bolacha e senti o chá de camomila demasiado quente nos lábios. - Aí mudou o discurso.  Começou a dizer que o meu pai também a tinha desiludido. Começou a acusar o meu pai por este não lhe ter dado o valor que ela merecia, mas que tinha tido também oportunidade de lho dizer na cara. Mesmo antes de morrer...

- Isso é arrepiante, Diana.

- Isso fez com que o que a tua mãe me disse fizesse todo o sentido.

- O divórcio?! - interpelou ele.

- Sim. Se é verdade o meu pai a ter ameaçado com o divórcio, não sei até que ponto ela não iria para manter a boa vida que tinha há muitos anos.

- Acho que isso é uma acusação muito grave, Di. Estás a insinuar que a tua mãe seria capaz de matar o teu pai.

- Não digo que fosse capaz de matar, mas pelo menos pô-lo mais débil para ele continuar dependente dela. - Só de pensar nisso, o meu estômago revirava-se. - Repara, ele tinha graves problemas de coração, ainda estava a recuperar de um ataque do coração que tivera meses antes... Estavam os dois sozinhos em casa quando ele se sentiu mal. Ela pode ter feito com que ele se enervasse... Ela até pode ter esperado o suficiente para ser ineficaz a ida da ambulância...

- Calma, Diana, estás a imaginar muita coisa. A tua mãe, tal como o teu pai, tinham muitos defeitos - acho que mesmo que a maioria das pessoas, mas daí dizeres que a tua mãe fez ou ajudou a que o teu pai tivesse outro ataque do coração é um passo muito grande...

- Eu sei lá, Ricardo. Ela disse-me tanta coisa, fez-me tantas acusações, ofendeu-me tanto... Ela chegou ao ponto de desejar a minha infelicidade e a minha falência. Disse que o meu divórcio era sinal de que nunca seria capaz de ser feliz e de fazer alguém feliz e que iria acabar sozinha como ela.

- Realmente a tua mãe foi e é muito cruel, mas... Olha, tens que esquecer isso e acima de tudo, tens que ter a mesma força que tiveste há uns anos - aproximou-se mais de mim e acariciou-me o rosto.

Afastei-me ligeiramente dele.

- Não consigo. Não consegui da primeira vez, não vou conseguir agora.

- Como assim?!





df @ 20:34

Qui, 10/12/09

A campainha da minha casa tocou. Pelo menos foi essa a indicação que o meu cérebro conseguiu transmitir. Era um som abafado.

Tocou novamente.

Demorei a levantar-me e aos tropeções, dirigi-me para a porta, indo contra a mesa de centro e o aparador. Abri-a e não me surpreendi com a presença dele ali.

- Olha quem é ele - disse, rindo-me. Virei-lhe as costas e regressei à sala. Ele veio atrás de mim e eu voltei-me para ele - Vieste aqui reclamar o direito de me insultar e de me bater? - virei-lhe novamente as costas e enquanto me tentava dirigir para o sofá, falei - É que parece que toda a gente tem direito a isso, sem se importar comigo. - Sentei-me e peguei no copo de vinho tinto.

- Estás bêbada! - exclamou.

- O quê?! Só bebi uns copitos, não digas asneiras. És servido?

Bebi de golada o líquido e voltei a encher.

- Está aqui uma garrafa vazia e estás com outra aberta, Diana.

- E agora, paizinho, vais-me bater?

- Não sejas ridícula. Tu vais é beber um café e tomar um banho.

- Que piada! Estás tão engraçado, Ricardo. Não te sabia tão piadético.

Aproximou-se de mim e agarrou-me pelos braços, obrigando-me a acompanhá-lo até à casa-de-banho. Já naquela divisão começou a despir-me.

- Tresandas a álcool e ainda dizes que não estás bêbada?

- Pára! - exigi, mas sem ser muito convincente. Não conseguia ter qualquer controlo dos meus actos.

- Não sei porquê que estás a fazer isto, mas vais tomar um banho e depois vais-te deitar.

- Já que vais fazer isto - disse, apontando para o facto de ele me estar a tirar as calças - não te queres juntar ali comigo na banheira? Vamos fazer o amor - não conseguia parar de me rir dele.

- Pára de dizer disparates, Diana.

Depois daquilo não me lembrava de mais nada, a não ser acordar, despida, debaixo dos meus lençóis na minha cama.

 



DESAFIO

Coloquei-vos há tempos o desafio de darem um TÍTULO à nova história que se irá desenvolver nos próximos meses aqui. Ainda não vos dei muita informação, a não ser que as personagens se chamam Rafael e Juliana e que trabalham na mesma empresa. Conforme vou publicando os posts, certamente irão perceber que há muitos segredos para serem revelados...
Além do título, também espero que deixem nos comentários o vosso feedback.
Obrigado
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Rubricas:

Além de uma nova história a decorrer no blog, acompanhem também a nova rubrica do blog 'PERDIDOS E ACHADOS DA VIDA', pequenos textos que incidem sobre... Leiam e descubram...

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